GLOSS Brasil

12 marégrafos no Brasil do Global Sea Level Observing System (GLOSS)

Histórico
Objetivos
Instituições
Estações
Configurações
Plano de implementação

Histórico

O VI Plano Setorial para os Recursos do Mar (VI PSRM), sob a coordenação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), visa ao monitoramento oceanográfico e climatológico cuja ferramenta de implementação é o programa GOOS-Brasil. Em 2007, foi aprovado o Plano de Implementação da Rede Brasileira Permanente de Monitoramento do Nível do Mar (GLOSS-Brasil) dentro da Ação GOOS-Brasil.

Objetivo geral

A Rede GLOSS-Brasil, como parte integrante da Ação GOOS-Brasil e do programa internacional GLOSS (Global Sea Level Observing System), tem como objetivo o monitoramento da variação do nível do mar em longos períodos em águas jurisdicionais brasileiras em apoio a pesquisas de oceanografia e variação do nível do mar na costa brasileira. Informações de nível médio do mar também podem ser utilizadas em diversas áreas como operações portuárias, pesca, aquicultura, exploração de recursos minerais, desenvolvimento costeiro e recreação. Dentre os principais objetivos do programa, pode-se destacar:

  • Produzir dados confiáveis para a determinação da tendência de longo prazo do nível do médio do mar;
  • Centralizar o armazenamento de dados de nível do mar no Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO);
  • Disseminar os dados produzidos para os centros internacionais reconhecidos pela COI/UNESCO (PSMSL e UHSLC);
  • Introduzir aperfeiçoamentos tecnológicos que aprimorem o monitoramento do nível do mar, incluindo a transmissão de dados em tempo real para órgãos competentes;
  • Orientar ações que conduzam ao aperfeiçoamento de pessoal de nível técnico e superior que produza ou analise informação de Nível do Mar;
  • Promover a disseminação de dados e informações sobre Nível do Mar, inclusive com recursos da internet;
  • Promover a interação com outros programas oceanográficos e tecnológicos brasileiros;
  • Promover o envolvimento da comunidade de usuários das informações de nível do mar (portos, iniciativa privada, instituições de pesquisa, e outros) para fins de aplicações práticas;
  • Promover a recuperação de dados históricos de nível do mar ao longo da costa; e
  • Estimular o estabelecimento de estações redundantes para o monitoramento do nível do mar.

EstaçãoPosiçãoPeríodoDado
Cananéia Lat: -25.02°
Lon: -47.93°
29/01/2014 - 27/05/2016CSV (2.0 MB)
Fernando de NoronhaLat: -3.83°
Lon: -32.40°
1985 a 1986CSV (39.5 KB)
Fortaleza Lat: -3.72°
Lon: -38.47°
18/04/2008 - 28/03/2016CSV (3.9 MB)
Ilha FiscalLat: -22.90°
Lon: -43.17°
1963 a 2007 e 2013CSV (3.6 MB)
Ilha TrindadeLat: -20.50°
Lon: -29.32°
1983CSV (5.5 KB)
Imbituba Lat: -28.13°
Lon: -48.40°
24/11/2006 - 11/01/2016CSV (3.3 MB)
Macaé (Imbetiba) Lat: -22.23°
Lon: -41.47°
05/01/2006 - 31/05/2015CSV (2.3 MB)
Ponta da MadeiraLat: -2.57°
Lon: -44.38°
1985
Rio GrandeLat: -32.13°
Lon: -52.10°
1981 a 2003CSV (599.4 KB)
Salvador Lat: -12.97°
Lon: -38.52°
02/04/2007 - 04/04/2016CSV (4.2 MB)
Santana Lat: -0.06°
Lon: -51.17°
19/11/2006 - 04/04/2016CSV (3.0 MB)
São Pedro e São PauloLat: 3.83°
Lon: -32.40°
1982 a 1985 e 2009 a 2010CSV (153.6 KB)

Instituições brasileiras

A Rede conta com o apoio de diversas instituições brasileiras para manter e operar as estações maregráficas, adquirindo os dados observados e realizando a manutenção das mesmas quando necessário. Fazem parte do programa as seguintes instituições:

  • CHM - Centro de Hidrografia da Marinha
  • IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  • INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  • VALE - Vale S.A.
  • IO-USP - Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo
  • FURG - Universidade Federal do Rio Grande
  • UFC - Universidade Federal do Ceará
  • ON - Observatório Nacional

Estações

A Rede Maregráfica GLOSS-Brasil possui atualmente 12 estações distribuídas ao longo da costa brasileira. Recentemente (em 2015), houve a inclusão à rede da estação do Porto de Tubarão, no estado do Espirito Santo.

EstaçãoLatitudeLongitudeIntituição Responsável
Rio Grande 23º 08,3’ S 052º 06,2’ W CHM
Imbituba 28º 13,8’ S 048º 39,0’ W IBGE
Cananéia 25º 01,0’ S 047º 55,5’ W IO-USP
Ilha Fiscal 22º 53,8’ S 043º 10,0’ W CHM
Macaé (Imbetiba) 22º 23,1’ S 041º 46,2’ W IBGE
Porto de Tubarão 20º 17,3’ S 040º 14,6’ W VALE
Salvador 12º58,4’ S 038º 31,0’ W IBGE
Fortaleza 03º 42,9’ S 038º 28,6’ W IBGE
Ponta da Madeira 02º 33,9’ S 044º 22,7’ W VALE
Fernando de Noronha 23º 08,3’ S 052º 06,2’ W INPE
São Pedro e São Paulo 00º 55,2’ N 029º 20,6’ W INPE
Ilha da Trindade 20º 30,5’ S 029º 18,6’ W INPE

Configuração

O equipamento básico de toda estação que monitora o nível do mar é o Marégrafo, que essencialmente consiste em um medidor que detecta e registra essa variável, através de diversos sistemas, tais como: flutuadores, sensores de pressão, contatos elétricos, pulsos acústicos, bolhas, radar, etc.

Os manuais da Comissão Oceanográfica Intergovernamental de 1985, 1994 e 2002, juntamente com as contribuições de Woodworth et al. (1996), oferecem as informações mais específicas sobre o uso e sobre o controle de qualidade desses sistemas de medição.

É extremamente importante que as estações GLOSS realizem não só medições redundantes de nível do mar como também medições de outros parâmetros meteorológicos e oceanográficos (pressão atmosférica, temperatura do ar e da água, precipitação atmosférica, evaporação, direção e intensidade do vento, etc.). É recomendável que se realize rastreamento contínuo de sinais dos satélites GPS ou similar bem como atividades regulares de gravimetria absoluta, para o monitoramento de deslocamentos verticais e horizontais da crosta terrestre.

O local para instalação das estações da Rede GLOSS-Brasil deve ser permanente e de forma tal a representar, o melhor possível, as condições de mar aberto, em áreas abrigadas, longe de arrebentações e de fortes correntes de maré. As estações não devem ser instaladas em estuários onde for forte o aporte de águas fluviais. Devem estar protegidas das operações portuárias, que possam causar danos às instalações. Devem estar em locais com profundidade adequada às medições, levando em conta as variações da amplitude das marés em condições de fortes ressacas em ocasião de maré de sizígia. As estruturas devem estar fixadas em aportes sólidos de grande estabilidade como atracadouros, molhes, etc. As estações devem estar protegidas contra o vandalismo, através de guarda de autoridades portuárias, nas estações de pesquisas de instituições universitárias, ou militares e ser de fácil acesso à manutenção.

Além do armazenamento local dos dados, as estações deverão ser equipadas com instrumentação necessária à transmissão em tempo real, através de qualquer sistema de comunicação disponível aos centros pertinentes.

Um requisito básico do GLOSS é que toda estação deve realizar e registrar medições com uma acurácia melhor do que 1 (um) cm sob todas as condições de maré, correntes de maré e todas as condições ambientais que possam ocorrer (chuva, temporais, ressacas e outras). As medições devem ser realizadas com acurácia temporal melhor que um minuto, utilizando um intervalo de amostragem máximo da ordem de uma hora e devem ocorrer por longos períodos. Dessa forma, não é desejável que se altere a localização de uma estação GLOSS, o que poderia colocar em risco a continuidade de uma longa série de medições.

Novas tecnologias devem ser utilizadas em paralelo com as atuais para que seja efetuada sua validação, por períodos de pelo menos alguns anos, ate que seja obtida experiência e confiança no seu emprego.

O controle geodésico de cada estação deverá incluir a realização periódica de nivelamento geométrico de alta precisão, em intervalos de 6 meses a 1 ano. As medições devem ser feitas seguindo as normas e especificações vigentes no Brasil (Decreto-Lei nº 243, 1967; IBGE, 1983; IBGE, 1992).

Plano de implementação