Rede Ondas

9 ondógrafos

Sobre
Objetivos
Justificativas e relevância
Instituições
Políticas públicas
Histórico

Sobre

A Rede Ondas é uma rede de boias (ondógrafos) fundeados em águas rasas ao longo da costa brasileira, que tem como objetivo monitorar o clima de ondas por meio do conhecimento em tempo real das condições de mar.

A Rede busca fornecer dados valiosos para a compreensão das interações entre o continente e o oceano, projetos de engenharia costeira, portuária e oceânica, mineração marinha, navegação, estudos de variações da linha de costa e de processos litorâneos, entre outros.

Tal iniciativa é coordenada pela Universidade Federal de Rio Grande—FURG e supervisionada pelo Programa GOOS/Brasil.

Objetivos

Estruturação da Rede de Monitoramento de Ondas em águas rasas no litoral brasileiro a partir da aquisição e instalação de ondógrafos direcionais com disponibilização de dados em tempo quase real, gratuitamente, por internet.

Justificativas

A estruturação e operacionalização de uma rede de monitoramento de ondas ao longo da costa brasileira podem ser considerados passos fundamentais para a completa compreensão das interações entre o continente e o oceano. O clima de ondas constitui-se em uma informação imprescindível para projetos de engenharia costeira, portuária e oceânica, mineração marinha, navegação, estudos de variações da linha de costa e de processos litorâneos. Neste quesito, o Brasil encontra-se totalmente desprovido deste tipo de informação na atualidade.

O conhecimento em tempo real das condições de mar possibilita a realização com maior segurança de qualquer atividade marítima, seja de caráter profissional ou de lazer. A previsão de ondas através do uso de modelos de geração e de propagação de ondas permite o planejamento de atividades marítimas e prevenção de acidentes.

Nesse contexto foi constituído pela CIRM (no âmbito do GOOS/Brasil) o GT “Rede de Propagação de Ondas em Águas Rasas”, que teve como objetivo definir os critérios para o monitoramento contínuo da agitação marítima em águas rasas (i.e. da plataforma até a costa) no litoral brasileiro com informações disponibilizadas à comunidade via Internet em tempo real. Ressalta-se que além de gerar dados para o estabelecimento do clima de ondas na costa brasileira e para o desenvolvimento de modelos de previsão de ondas, o monitoramento em questão contribuirá significativamente para a segurança náutica e para sistemas de alerta em caso de eventos extremos.

Relevância

Em termos de benefícios à sociedade, os mesmos podem ser divididos em:

Curto Prazo:
Fornecimento continuado de diagnósticos das condições de agitação do mar com disponibilização gratuita de dados em tempo real via internet.

Sob o ponto de vista prático, um diagnóstico preciso da agitação marítima existente é uma informação de importância fundamental para todos aqueles que utilizam o mar de alguma forma, seja por simples lazer, seja na realização de atividades profissionais. Portanto, é óbvio que a disponibilização dessa informação em "tempo real" via Internet tornará muito mais seguras todas as atividades marítimas - de lazer ou profissionais - realizadas no litoral brasileiro, beneficiando de forma direta e imediata toda a comunidade costeira brasileira e, certamente, até evitando riscos a vidas humanas.

Médio prazo:
Criação de uma base de dados de alta qualidade que possibilite caracterizar o clima de ondas ao longo do litoral brasileiro de forma precisa e confiável. Olhando a questão a médio prazo, a massa de dados coletados de forma sistemática e contínua trará também benefícios indiretos à sociedade, pois permitirá a criação de um acervo precioso que, por sua vez, possibilitará um entendimento quantitativo do clima de ondas da costa brasileira. Esse conhecimento será de fundamental importância para praticamente todos os estudos de fenômenos costeiros, sendo também crucial para futuras obras costeiras e portuárias auxiliando ainda na realização de um gerenciamento ambiental adequado da região litorânea, e na realização de estudos de longo período para avaliação do efeito das mudanças climáticas nas regiões costeiras, dentre outras coisas.

Em termos de produtos a ser oferecidos, o principal é: o diagnóstico preciso das condições do mar. Tal diagnóstico será atualizado consistentemente pelos sensores existentes nas boias e transmitidos em tempo real para qualquer usuário que possuir acesso à internet.

Como normalmente é feito para o público leigo, no diagnóstico serão disponibilizadas as medições dos 3 parâmetros básicos que caracterizam a agitação do mar: Hs = altura significativa, Tp = período de pico e Dp = direção de pico. A temperatura da água (também medida pelo aparelho como "bônus") e a posição instantânea da boia em relação à âncora também serão disponibilizadas, pois são parâmetros de interesse para os usuários. A posição em relação à âncora serve como indicador da tendência de deriva da boia, a qual reflete o sentido das correntes na plataforma continental. Do ponto de vista mais técnico, o espectro direcional medido pela boia também será disponibilizado via internet uma vez que traz informações mais completas (porém de compreensão menos direta para leigos) sobre o campo de ondas existentes. Estes dados serão fundamentais no que se trata da assimilação dos dados por modelos matemáticos de previsão de parâmetros ligados à dinâmica oceno-atmosfera. Gráficos diários, semanais e mensais dos parâmetros também poderão ser facilmente gerados e disponibilizados na internet.

Instituições

  • FURG - Fundação Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
  • UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
  • UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • USP - Universidade de São Paulo
  • CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear/CDTN - Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear
  • IEAPM - Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira

Relação entre os produtos da Rede Ondas e demais políticas públicas no Brasil

Todo Programa de caráter nacional que se pretenda implantar deve estar sintonizado com as orientações políticas vigentes, com destaque para os Planos, Programas e Políticas definidas pelo poder público, além de estar em concordância com projetos científicos financiados pelos órgãos de fomento como CNPq, CAPES, FINEP, etc. No caso da Rede Ondas tal integração parte do próprio PSRM, que prevê por meio da Ação: Monitoramento Oceanográfico e Climatológico – (Organização coordenadora – Marinha do Brasil – DHN), a execução da Rede Ondas.

Outras políticas federais que serão abastecidas pelas informações geradas são o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro - PNGC (Lei nº 7661/88 e Decreto nº 5300/04) e o Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental Jurídica Brasileira – REMPLAC (Resolução 004/97/CIRM, de 03/12/97).

No âmbito do PNGC diversos são os instrumentos previstos que necessitam de uma informação apurada sobre parâmetros oceanográficos, com destaque para a temática de erosão costeira nas praias do Brasil, o Projeto ORLA, Agenda Ambiental Portuária, a Integração da Gestão de Zonas Costeiras e Bacias Hidrográficas, e mais recentemente, o Sistema de Modelagem Costeira – SMC/Brasil.

Já o REMPLAC tem como objetivo geral avaliar a potencialidade mineral da Plataforma Continental Jurídica Brasileira (PCJB), por meio de levantamentos geológico-geofísicos. Além disso, o Programa pretende efetuar, em escalas apropriadas, projetos temáticos, levantamentos geológico-geofísicos de sítios de interesse geoeconômico-ambiental identificados na PCJB, visando avaliar sua potencialidade mineral. Também neste caso, as informações a serem disponibilizadas pela Rede Ondas são de vital importância.

Outro ponto de forte interação entre a Rede Ondas e iniciativas públicas diz respeito à Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE - MCTI) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas. Esta rede tem como objetivo aumentar significativamente os conhecimentos sobre impactos das mudanças climáticas, identificando as principais vulnerabilidades do Brasil em diversos setores e sistemas. Zonas costeiras estão entre as áreas mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais, o que causa grande preocupação, uma vez que estas regiões concentram grande parte da população e das atividades econômicas no Brasil. Atualmente, a análise destes impactos é limitada por uma série de deficiências do conhecimento básico sobre a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas costeiros brasileiros, sendo que suprir uma destas deficiências é justamente o objetivo maior da Rede Ondas.

Outra contribuição inconteste da implementação da Rede Ondas no país diz respeito à exploração da energia das ondas. A constante busca por fontes de energia limpa e não poluente tem trazido interesse cada vez maior para a exploração do enorme potencial energético presente nas ondas do mar. Nesse contexto, torna-se óbvio que os conhecimentos advindos da Rede de Monitoramento de Ondas contribuirão em muito no desenvolvimento dessa fonte alternativa de energia no Brasil.

Hisórico

  • 2005: Revisão do Programa GOOS-Brasil em workshop realizado em Angra dos Reis, RJ, onde se identifica a necessidade premente de uma rede de monitoramento de ondas em águas rasas.
  • 2007: Publicação da resolução 7/07 que cria o Grupo de Trabalho ad hoc Rede de Propagação de Ondas em Águas Rasas, subordinado ao Comitê Executivo para o GOOS/Brasil, com a finalidade de elaborar um Plano de Implementação para a rede de monitoramento de ondas em águas rasas.
  • 2009: 1ª Reunião do GT supracitado, realizado na cidade de Rio Grande, RS.
  • 2010: 2ª Reunião do GT, realizado em Porto Alegre, RS.
  • 2011: Inicio das operações da primeira boia da Rede em Recife, PE, com o apoio financeiro do CNPq.
  • 2012: Aprovação do Plano de trabalho e assinatura do Convênio entre a Universidade Federal de Rio Grande (FURG) e a SECIRM para implementação da Rede Ondas.
  • 2012: Reunião do Sub-Comitê da Rede Ondas durante o V Seminário e Workshop em Engenharia Oceânica da FURG, em Rio Grande.
  • 2013: Inicio da implementação da REDE ONDAS.